Resumos dos Pôsteres

1 - ÚLCERA DE CÓRNEA POR EXPOSIÇÃO PÓS CIRURGIA DE ELEVAÇÃO AO FRONTAL EM PACIENTE COM PERDA DE MECANISMOS DE PROTEÇÃO CORNEANA

Autor: CASAGRANDE M.R.
Coautor: MARTINS M.H.S., LUCE F.M., PEREIRA J.C.C., SAMPAIO P.C.D.
SERVIÇO DE OFTALMOLOGIA DO HOSPITAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

OBJETIVO: APRESENTAR UM CASO DE ÚLCERA DE CÓRNEA POR EXPOSIÇÃO SECUNDÁRIA À CIRURGIA DE SUSPENSÃO AO FRONTAL, EM PACIENTE COM MECANISMOS PRECÁRIOS DE PROTEÇÃO DA CÓRNEA E O SEU DESFECHO.

RELATO DE CASO: PACIENTE C.G.F.P., 49 ANOS, DO SEXO FEMININO, APRESENTANDO QUADRO DE PARALISIA OCULAR DIREITA E PTOSE PALPEBRAL TOTAL EM DECORRÊNCIA DE LESÃO DO III NERVO CRANIANO DIREITO, APÓS CIRURGIA PARA RESSECÇÃO DE TUMOR CEREBRAL EM 2009. SUBMETIDA À CIRURGIA PARA ELEVAÇÃO AO FRONTAL DO LADO DIREITO, UTILIZANDO FIO NYLON COMO MATERIAL SUSPENSÓRIO, PELO SERVIÇO DE CIRURGIA PLÁSTICA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UFJF (HU/UFJF) EM 02/02/2011. COMPLICOU COM LAGOFTALMO PÓS CIRÚRGICO. EM 09/02/2011, PROCUROU PELA PRIMEIRA VEZ O SERVIÇO DE OFTALMOLOGIA DO HU/UFJF COM QUEMOSE IMPORTANTE E ÚLCERA CORNEANA EXTENSA À BIOMICROSCOPIA, ALÉM DE MIDRÍASE FIXA NO OLHO DIREITO, ANESTESIA CORNEANA (SENDO QUESTIONADA ENTÃO LESÃO CONCOMITANTE DO NERVO TRIGÊMEO), AUSÊNCIA DO REFLEXO DE BELL E SINAIS DE CELULITE PRÉ-SEPTAL. À MANOBRA BIDIGITAL, A PRESSÃO INTRAOCULAR PARECIA ESTAR NORMAL. ACUIDADE VISUAL DE PERCEPÇÃO LUMINOSA NO OD E 20/20 NO OE. REALIZADA ECOGRAFIA B NO OD, QUE REVELOU APENAS CONDENSAÇÕES VÍTREAS FLUTUANTES, E RNM, QUE MOSTROU AUSÊNCIA DE INFLAMAÇÃO ORBITÁRIA. PERMANECEU INTERNADA POR NOVE DIAS, RECEBENDO OXACILINA E CEFTRIAXONA ENDOVENOSA, GATIFLOXACINO TÓPICO E GEL LUBRIFICANTE OCULAR, COM MELHORA PARCIAL DO QUADRO, COM REDUÇÃO DA QUEMOSE E REGRESSÃO IMPORTANTE DA ÚLCERA. RECEBEU ALTA E FOI ORIENTADA A MANTER OS CUIDADOS GERAIS, MEDICAMENTOS TÓPICOS E AMOXICILINA + CLAVULANATO VIA ORAL EM DOMICÍLIO. RETORNOU AO SERVIÇO APENAS OITO DIAS DEPOIS, COM AUMENTO DA HIPEREMIA OCULAR E ÚLCERA CORNEANA EXTENSA. REALIZADA ENTÃO TARSORRAFIA PARCIAL, COM ABERTURA CENTRAL PEQUENA COM O INTUITO DE PROTEGER A CÓRNEA DA EXPOSIÇÃO. DURANTE O ACOMPANHAMENTO A TARSORRAFIA FOI SEGUIDAMENTE DESFEITA E REFEITA PARA REAVALIAÇÃO, REVELANDO MELHORA IMPORTANTE DA ÚLCERA, MAS MANTENDO AINDA CERATITE IMPORTANTE. REALIZADA TENTATIVA DE MANTER A PACIENTE SEM A TARSORRAFIA, MAS OCORREU REAPARECIMENTO DA ÚLCERA, COM ASPECTO DE ULCERA DE EXPOSIÇÃO, SENDO ENTÃO DECIDIDA A MANUTENÇÃO DE TARSORRAFIA PERMANENTE.

CONCLUSÃO: É DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA O CONHECIMENTO PRECISO DAS CONDIÇÕES QUE COLOCAM EM RISCO A SUPERFÍCIE OCULAR, AO PROCEDER QUALQUER CIRURGIA PALPEBRAL, MINIMIZANDO ASSIM O RISCO DE COMPLICAÇÕES, MUITAS VEZES IRREVERSÍVEIS.

 

2 - LENTES DE CONTATO: UMA ANÁLISE DOS HÁBITOS DOS USUÁRIOS

Autor: ANA FLÁVIA LACERDA BELFORT
Coautor: ANA CRISTINA ROCHA FONSECA, AIESKA KELLEN DANTAS SANTOS, GABRIEL TENSOL RODRIGUES PEREIRA
*BELFORT, A.F.L; FONSECA, A.C.R.; PEREIRA, G.T.R.; SANTOS A.K.D. – ESTUDANTES DO 5º PERÍODO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Introdução: O uso de lentes de contato é uma forma frequentemente escolhida por oftalmologistas e pacientes para corrigir a visão, mas é preciso atentar para o fato de que o cuidado das lentes é fundamental para evitar complicações futuras. Os problemas mais frequentemente associados com o uso de lentes de contato são conjuntivite papilar gigante, ceratite e ulcera de córnea e os agentes etiológicos mais comuns são as bactérias e fungos.

Objetivo: Investigar se os usuários de lentes de contato seguem as recomendações médicas no cuidado das lentes e quais são os problemas mais relatados.

Metodologia: Foram distribuídos 200 questionários em dois consultórios médicos(Instituto de Medicina Ocular e Instituto de Olhos Belo Horizonte), em um congresso de oftalmologia(XIV Simpósio Internacional da Sociedade Brasileira de Glaucoma), na Universidade Federal de Minas Gerais para estudantes do quarto período de medicina e no SUS. Foi pedido aos usuários que respondessem questões relacionadas com seus hábitos como a lavagem das mãos, limpeza correta das lentes, uso de produtos específicos, uso prolongado das lentes, etc. Os usuários foram divididos em quatro grupos de acordo com tipo de lente que usam: lentes rígidas,lentes gelatinosas de uso diário,lentes gelatinosas de uso prolongado e lentes gelatinosas descartáveis.Após recolhimento dos dados foi construída uma tabela comparativa para análise de resultados alem de mostrar as conclusões mais relevantes com gráficos que foram desenhados.

Resultados: Foi observado que uma parcela dos usuários não cuidam de suas lentes da maneira adequada que os oftalmologistas recomendam.Por exemplo: 13,2% dos usuários relataram manter hábitos de higiene incorretos, como lavar as lentes com soro fisiológico, água da torneira, entre outros; Quase metade dos usuários de lente (40,5%) disseram fazer uso prolongado das lentes (dormir); 27% relataram irritação nos olhos após uso contínuo das lentes. Ao adotarem esses hábitos suas chances de desenvolverem doenças oculares aumentam .

Conclusão: O oftalmologista tem enorme importância na prevenção de complicações relacionadas com as lentes de contato ao orientar o paciente e alertá-lo sobre as conseqüências da má utilização das lentes. É importante que os médicos percebam essa importância e sempre orientem seus pacientes.

 

3 - RETINOPATIA POR INTERFERON PEGUILADO, UM RELATO DE CASO

Autor: LUCE, F.M.
Coautor: FARIA, G.S.; ESPINDOLA, E.V.B.; PEREIRA, J.C.C.; CASAGRANDE, M.R.
Instituto: UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Introduçao: Estima-se que 2,5 a 4,9% da população brasileira esteja infectada pelos vírus da hepatite C. O uso do interferon atualmente é a única modalidade terapêutica aprovada pelo FDA americano. Diversos estudos demonstraram alterações retinianas com o uso de interferon alfa enquanto poucos evidenciaram alterações com o interferon peguilado. Essa retinopatia normalmente se apresenta com exsudatos algodonosos e hemorragias intrarretinianas.

O objetivo: desse trabalho é relatar retinopatia por uso de interferon peguilado. Paciente sexo feminino 67 anos proveniente de Paraíba do Sul com diagnóstico de Hepatite C genótipo 1 há 2 anos devido, provavelmente, a hemotransfusão após parto cesáreo em 1976. História pregressa de HAS há 6 anos. Ao exame apresentava acuidade visual corrigida de 20/20 em ambos os olhos. Tonometria de aplanação de Goldmann 10mmHg em ambos os olhos. Biomicroscopia e fundoscopia sem alterações em ambos os olhos. Dois meses depois do uso do interferon peguilado apresentou hemorragia puntiforme em arcada temporal superior no olho direito e exsudatos algodonosos em arcada temporal superior não existentes antes do início da terapia. Após mais um mês de uso da droga apresentava à fundoscopia exsudatos algodonosos em AO. Seis meses após o uso continuado da droga, não haviam mais alterações fundoscópicas e a acuidade visual se mantinha inalterada desde antes do tratamento. Apesar de rara a retinopatia por interferon peguilado, neste caso pudemos observar tal manifestação retiniana após dois meses de uso da droga, com regressão espontânea dos sinais sem a suspensão da medicação. Habitualmente não há alteração da acuidade visual e as alterações podem regredir sem a suspensão da medicação. Deve-se ressaltar portanto, a importância do médico oftalmologista no acompanhamento dos pacientes em uso dessas medicações.

4 - PERFIL REFRACIONAL E DA ARQUITETURA CORNEANA DE PACIENTES ATENDIDOS EM SERVIÇO OFTALMOLÓGICO EM BELO HORIZONTE: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 216 CASOS

Autor: JOÃO ANGELO M. SIQUEIRA

Coautor: SUELLEM SOUKI, JULIANA MINEIRO AMARAL, JOEL EDMUR BOTEON

Introdução: As alterações da arquitetura corneana e suas conseqüências para a visão são objeto de pesquisa há séculos. Vários estudos epidemilógicos sobre o tema foram conduzidos, no entanto o perfil atual destas alterações, sobretudo com o aperfeiçoamento dos recursos propedêuticos e com as conseqüências dos procedimentos cirúrgicos oculares, permanece indeterminado.

Material e Método: Analisaram-se retrospectivamente os dados de 216 pacientes (432 olhos) atendidos em serviço oftalmológico em Belo Horizonte, Brasil, em 2011. Foram avaliados idade, sexo, acuidade visual, refração e topografia corneana destes pacientes, com ênfase nos astigmatismos e ectasias corneanas, notadamente o ceratocone, estudando-se o olho mais acometido e o contra lateral. Investigou-se também a presença de fatores predisponentes conhecidos para ectasias, como atopia, hábito de coçar os olhos , historia familiar e cirurgias corneanas previas, notadamente cirurgias refrativas. Resultados: Do total de casos estudados 63% foram do sexo feminino; a idade variou de 10 a 85 anos (média de 40,83 anos). No perfil refracional houve predominância do astigmatismo miópico(43,05% dos casos). O ceratocone foi diagnosticado em 12,9% dos casos, com discreto predomínio do sexo feminino( 52,1%); 64,7% com quadro refracional de astigmatismo miopico e 2,99% de hipermetropia simples. O olho direito foi mais acometido (60,7% dos casos) e com assimetria mais evidente em relação ao olho contra lateral(35,2% de ectasias suspeitas em OE e 5,8% de ectasias monocular). No olho esquerdo em 90,9% dos casos a ectasia foi bilateral.A historia pregressa de atopia foi positiva em 34,95% das ectasias, o habito de coçar os olhos em 17,87% e a historia familiar em 14,9% destes casos.

Conclusão: Dados atuais sobre a prevalência de alterações na arquitetura corneana, sobretudo ectasias, são fundamentais. A historia pregressa de atopia foi mais relevante para o ceratocone que a historia familiar e o olho direito mostrou ser o mais acometido. Estudos prospectivos devem ser conduzidos para melhor determinar este perfil e orientar o diagnostico precoce destas alterações e sua melhor abordagem terapêutica.

5 - DESCOMPLICANDO O CILINDRO CRUZADO

Autor: JOSÉ ALOÍSIO DIAS MASSOTE

Coautor: CLÓVIS CORRÊA DE CARVALHO, FERNANDO FISCHMANN FERREIRA, VICTOR DIAS MASSOTE, PEDRO DO CARMO MARCONDES

Introdução: A refração está no dia-a-dia do Oftalmologista, seja qual for a sua sub-especialidade. A maioria dos pacientes examinados não apresentam doenças oculares e buscam o Oftalmologista para “fazer os óculos”. Uma refração feita com todo o cuidado e paciência leva o paciente a obter a melhor visão possível para aquele olho. Com isso, o paciente ficará mais satisfeito com o resultado e com seu Médico. O auto-refrator nem sempre está disponível e suas informações devem ser refinadas nos componentes esférico e cilíndrico. Ajustar com precisão o eixo do cilindro talvez seja o maior desafio da refração. Para isso, podemos lançar mão do cilindro cruzado, cujo uso demanda certas artimanhas do examinador.

Objetivo: facilitar o uso do cilindro cruzado na busca do eixo do cilindro, de modo a tornar seu uso bem mais rápido e agradável, pois a lógica por trás de seu uso ficará mais fácil de ser entendida por meio de nossas figuras esquemáticas. Material: As figuras esquemáticas do pôster contribuirão sobremaneira para o entendimento e uso correto do cilindro cruzado.

Métodos e resultados: Iniciamos o teste do cilindro cruzado por uma triagem inicial, que nos mostrará uma de quatro regiões possíveis onde está o eixo do paciente. Esse teste já fornece uma idéia razoável de onde está o eixo do paciente, o que agiliza bastante todo o teste. Nesse momento, sabemos que o eixo do paciente se encontra dentro daquela região limitada e nos resta apenas refinar a posição do eixo do paciente.

Conclusão: Utilizando a triagem inicial, é possível agilizar todo o teste do cilindro cruzado, restando, então, refinar o eixo do cilindro. Após a leitura desse pôster, os autores esperam que mais oftalmologistas venham a utilizar o cilindro cruzado em sua rotina, pois a lógica de tal instrumento ficará bem compreendida.

 

6 - TERAPIA COMBINADA PARA O TRATAMENTO DE DMRI EXSUDATIVA: RELATO DE CASO

Autor: HENRIQUE VIANA VIEIRA

Coautor: RAPHAEL FREITAS GOMES E SILVA, OSCAR VILLAS BOAS

OBJETIVO: Relatar um caso de DMRI neovascular tratada com terapia antiangiogênica associada a terapia fotodinâmica. RELATO DE CASO: N.N.P., sexo feminino, 91 anos, compareceu ao ambulatório de Retina e Vítreo do Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira – IBOPC – no dia 05.09.2007, referindo baixa acuidade visual em ambos os olhos há 3 meses. Relata como antecedentes patológicos pessoais hipertensão arterial e facectomia em ambos os olhos. Ao exame oftalmológico, apresentava acuidade visual do olho direito 20/200 e do olho esquerdo 20/100P com correção. À biomicroscopia, apresentava pseudofacia e pupilas fotoreagentes. Tonometria 14 mmHg em ambos os olhos. À fundoscopia, observamos presença de membrana neovascular subretiniana (MNVSR) em ambos os olhos. À angiofluoresceinografia, apresentava MNVSR subfoveal em olho direito e justafoveal em olho esquerdo. Foi optado por realizar 3 aplicações mensais de Anti-VEGF (Bevacizumabe). Após cada aplicação houve melhora do quadro exsudativo, confirmado pela OCT e AV (tabela de Snellen). Após 30 dias da terceira aplicação houve piora de duas linhas na AV e piora da exsudação subretiniana, sendo optado por nova aplicação de Bevacizumabe. A paciente evoluiu bem quando após 25 dias houve nova recidiva do quadro. Foi optado por realizar a terapia fotodinâmica (PDT) em ambos os olhos com estabilização da membrana até então. A acuidade visual final foi de 20/400 em ambos os olhos e, à biomicroscopia do pólo posterior, apresentava cicatriz disciforme em região macular, sendo encaminhado para o acompanhamento no ambulatório de visão subnormal.

CONCLUSÃO: A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a principal causa de cegueira legal, em indivíduos acima de 50 anos de idade. A DMRI apresenta-se de duas formas: uma forma seca e uma forma exsudativa. Na forma exsudativa há o aparecimento de uma membrana neovascular subretiniana (MNSR), que altera a anatomia macular, levando à perda irreversível dos fotorreceptores adjacentes, com conseqüente baixa de visão. A evolução da MNVSR não tratada é frequentemente implacável e o prognóstico muito ruim. O tratamento da DMRI na sua forma exsudativa representa um dos maiores desafios na terapêutica oftalmológica atual. Uma nova abordagem do tratamento do MNVSR consiste na utilização de drogas antiangiogênicas, resultado de uma melhor compreensão da patobiologia da DMRI, porém no caso da nossa paciente, optamos por associar a terapia antiangiogênica à terapia fotodinâmica. Após o PDT houve estabilização da membrana neovascular. Apesar de hoje em dia o padrão ouro no tratamento da DMRI exsudativa ser a terapia antiangiogênica, devemos considerar em alguns casos específicos combinar terapias alternativas.

 

7 - ESTRIAS ANGIÓIDES COM MEMBRANA NEOVASCULAR SUBRETINIANA: RELATO DE CASO

Autor: HENRIQUE VIANA VIEIRA

Coautor: RAPHAEL FREITAS GOMES E SILVA, OSCAR VILLAS BOAS

OBJETIVO: Relatar um caso de paciente com estrias angióides evoluindo com membrana neovascular subretiniana tratada com Anti-VEGF. RELATO DE CASO: J.C.O., sexo feminino, 43 anos, compareceu à consulta oftalmológica no Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira - IBOPC - no dia 15.09.2008, para consulta de rotina e revisão de lentes corretivas em uso. Nega antecedentes patológicos pessoais e relata história de diabetes em irmão. Ao exame oftalmológico, apresentava acuidade visual do olho direito 20/20 e do olho esquerdo 20/200 com correção. À biomicroscopia do segmento anterior sem alterações. Tonometria de 20 mmHg em ambos os olhos. À fundoscopia, observamos presença de lesões lineares irregulares, de coloração marrom, ao redor da cabeça do nervo óptico e irradiando-se para fora da área peripapilar em ambos os olhos, característica de estrias angióides. Em olho esquerdo foi observada presença de membrana neovascular subretiniana em região foveal. À Angiofluoresceinografia observou-se discreto vazamento de contraste em região macular e ao OCT foi evidenciado membrana neovascular subretiniana em olho esquerdo com fibrose subretiniana importante e discreto líquido intraretiniano. Dessa forma, indicou-se aplicação intra-vítrea de anti-VEGF (Bevacizumabe) em olho esquerdo. Em 09.01.2009 foi realizada a primeira injeção intra-vítrea de Bevacizumabe em olho esquerdo evoluindo com discreta piora da AV (20/200P). Em 09.02.2009 foi realizada a segunda injeção intra-vítrea de Bevacizumabe, e a paciente evoluiu com estabilização da membrana, fibrose subretiniana importante, ausência de líquido intra e/ou subretiniano, e estabilização da AV em 20/200.

CONCLUSÃO: Estrias angióides são deiscências da camada elástica da membrana de Bruch secundárias a uma fragilidade anormal de seu tecido elástico. São encontradas preferencialmente em adultos jovens, podendo estar associadas a algumas doenças sistêmicas, especialmente o Pseudoxantoma elástico. O prognóstico visual é reservado quando ocorre a formação de membrana neovascular subretiniana. O tratamento desta complicação pode ser feito através da fotocoagulação térmica com laser convencional, terapia fotodinâmica ou mais recentemente com o uso intravítreo de inibidores da angiogênese. No caso da nossa paciente, foi indicado o uso de Bevacizumabe intravítreo, e apesar de estabilização da membrana com ausência de sinais de atividade, a paciente evoluiu sem melhora da AV devido à fibrose subretiniana importante. Optou-se por não fazer a terceira aplicação devido à inexistência de líquido intra e ou subretiniano e estabilização da membrana.

 

8 - ATENÇÃO OFTALMOLÓGICA PRIMÁRIA NA GRADUAÇÃO MÉDICA : PREPARANDO OS FUTUROS CLÍNICOS

Autor: FILIPE BRUNO FERNANDES

Coautor: DANIEL BICALHO LINS SILVA ,DRIELY CRISTINA SILVA FERREIRA ,CAMILA MARTINS RAMOS ,DANIELA MORENO FAGUNDES ,ALINE CARNEIRO DE OLIVEIRA ,FABIO ARAUJO GOMES DE CASTRO ,GALTON CARVALHO VASCONCELOS

Universidade Federal de Minas Gerais-BH

Objetivo: Os autores descrevem um caso clínico de ceratocone, frequente na rotina oftalmológica, utilizando-o como valioso instrumento de aprendizagem para acadêmicos da graduação de medicina, proporcionando uma melhor condição de preparo ao futuro clínico geral e permitindo que esse possa atuar de forma mais efetiva na atenção oftalmológica primária. Os autores discutem modelos de atenção oftalmológica primária adotados em alguns países.

 

9 - DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE PUPILA DE ADIE: RELATO DE CASO E ASPECTOS ANATÔMICOS

Autor: LAILA ABDO ZACARIAS

Coautor: JULIANA FURTADO ÁLVARES, LUÍZA ROCHA VILELA, EDMUNDO P RODRIGUES, RAFAEL CANHESTRO NEVES

Centro Oftalmológico de Minas Gerais

INTRODUÇÃO: A pupila de Adie é caracterizada por quadro de anisocoria e embaçamento visual. Encontrada em caráter unilateral e em maior frequência nos jovens do sexo feminino, manifesta-se com dilatação e irregularidade pupilares com nenhuma ou pouca reação ao estímulo luminoso. Trata-se de doença que apresenta como fisiopatologia a lesão do sistema parassimpático no nível de gânglio ciliar e/ou dos nervos ciliares curtos. A interrupção dessas conexões origina denervação do músculo esfíncter da pupila e consequente quebra do estímulo de miose. Dessa maneira, o olho acometido permanece em midríase fixa. DESCRIÇÃO DO CASO: A.M.N.S., 44 anos, sexo feminino. Procurou o serviço por apresentar há 4 anos midríase em OE (olho esquerdo) não responsiva ao estímulo luminoso, acompanhada de intensa fotofobia. Imaginologia solicitada anteriormente não mostrou alterações. Exame oftalmológico evidenciou ausência de ptose palpebral em AO (ambos os olhos), anisocoria (midríase em OE), reflexo fotomotor direto e consensual ausentes em OE, ortoforia, rotações musculares normais e ponto próximo de convergência (PPC) remoto, com miose à convergência lenta e discreta. Íris do OE apresentava-se irregular, exibindo contrações vermiformes e ausência de miose sob estímulo luminoso. A avaliação neurológica corroborou a hipótese diagnóstica de pupila da Adie, revelando reflexos patelar diminuído à direita, aquileu preservado e córneo-palpebral ausente à esquerda. Propedêutica para a confirmação diagnóstica foi realizada (teste da pilocarpina 0,125%) e o resultado obtido estava dentro do padrão esperado: miose completa do OE, 35 minutos após instilação do parassimpaticomimético. A conduta adotada foi prescrição de pilocarpina 0,125%, 2 vezes ao dia, para auxilio na redução da fotofobia.

DISCUSSÃO: O diagnóstico de pupila de Adie constitui tarefa minuciosa. A investigação exaustiva de patologias clínicas (como acidente vascular encefálico ou tumores) através de exames de imagem possibilitou a exclusão destes diagnósticos. Do mesmo modo, diversas hipóteses diagnósticas foram pesquisadas como midríase medicamentosa, pupilas de Argyll-Robertson, paralisia óculo-simpática e paralisia do III par craniano. Fortalecem o diagnóstico de pupila de Adie os achados semiológicos encontrados (ausência de ptose palpebral, reflexo pupilar irresponsivo ao estímulo luminoso e ausência do reflexo córneo-palpebral em OE, miose tardia à convergência e rotações musculares normais), bem como o achado propedêutico específico através do teste da pilocarpina diluída.

 

10 - TUBERCULOSE OCULAR EM PACIENTES HIV POSITIVOS

Autor: TROTTA, R.A*

Coautor: GOMES, A.C.M.Q.; ROCHA, A.C.H.;CAMPOS, W.R.; MIRANDA, S.S.; HOSPITAL SÃO GERALDO – HC – UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

INTRODUÇÃO: A turberculose é uma infecção crônica que possui como agentes etiológicos algumas espécies pertencentes à família das micobactérias. Apesar de sua incidência estar cada vez menor, ela permanece com enorme importância no rol de diagnósticos diferenciais em uveíte.

OBJETIVOS: Apresentar uma análise estatística sobre a prevalência de pacientes com diagnóstico provável ou possível de tuberculose ocular no universo de todos os pacientes HIV positivos atendidos no serviço de Uveítes do HSG no período de 2003 a 2011. Apresentamos também uma breve comparação dos resultados obtidos entre este estudo e estudo realizado também pelo serviço, com os mesmos moldes, porém referente à era pré terapia anti-retroviral (pacientes atendidos entre os anos de 1980 e 2003).

METODOLOGIA: Foram incluídos no trabalho todos os pacientes HIV positivos atendidos no Serviço de Uveítes do Hospital São Geraldo - Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, no período de 2003 a 2011. O diagnóstico de tuberculose ocular foi baseado em alguns critérios, salientando-se que a demonstração do agente infeccioso no olho é difícil de obter-se: diagnósticos prováveis (em que houve isolamento de M. tuberculosis em tecidos extra-oculares e a lesão ocular é compatível com tuberculose - e não atribuível a outra causa - ou que tenha obtido resposta clínica adequada da lesão ao tratamento com tuberculostáticos) e diagnósticos possíveis (os mesmos critérios anteriores, mas a evolução clínica não permitiu uma definição da etiologia).

Foram analisados os prontuários de 1100 pacientes, deste total separados os que foram diagnosticados como portadores de infecção ativa pelo M. tuberculosis, nas formas disseminadas, ganglionar, miliar, pulmonar, meníngea. Dentre eles, selecionados os que apresentavam quadro clínico compatível com tuberculose ocular.

RESULTADOS: Dos 1100 prontuários de pacientes com HIV atendidos no serviço de Uveítes de 2003 a 2011, 135 tiveram diagnóstico de tuberculose com infecção ativa, sendo que destes, apenas 11 pacientes (total de 16 olhos) tiveram diagnóstico de tuberculose ocular possível ou provável. As alterações mais freqüentemente encontradas foram os nódulos coroidianos.

CONCLUSÃO: Apesar de que o tratamento com anti-retrovirais esteja mais acessível comparado ao período de 1980 a 2003, notamos que a prevalência de pacientes HIV positivo com tuberculose aumentou levemente no período analisado. O acometimento ocular também foi percentualmente semelhante.

 

11 - TELECONSULTORIA EM OFTALMOLOGIA

Autor: LUIZ CARLOS MOLINARI GOMES

Coautor: THIAGO TRINDADE NESI, JOEL EDMUR BOTEON, MARIA BEATRIZ ALKMIM

Introdução: Implantada em junho de 2006, a Rede Mineira de Teleassistência já totaliza mais de 26.000 atendimentos até agosto de 2011. Em 4 anos de operação, houve um salto de 82 para 709 pontos de teleconsulta no estado, chegando a 754 pontos em 608 municípios em 2011. Através destes, o profissional de saúde do interior recebe auxílio nas condutas para cada caso, e ainda orientações para o encaminhamento dos casos mais urgentes. Os profissionais da área da saúde podem utilizar este serviço, sendo um grande aliado da saúde no interior de Minas Gerais. Com início em abril de 2009, o número de teleconsultas em Oftalmologia do Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (CTS HC/UFMG) chegou a 147 até setembro de 20111.

Objetivos: Desenhar o perfil das teleconsultas oftalmológicas através do CTS HC/UFMG, assim como divulgar no meio médico e acadêmico as vantagens do serviço.

Metodologia: Análise dos dados referentes às teleconsultas oftalmológicas do CTS HC/UFMG, a partir de abril de 2009 até setembro de 2011, através da base de dados do próprio serviço. Resultados: Das 147 teleconsultas oftalmológicas, 58% foram encaminhadas para a atenção especializada, devido à complexidade dos casos. As demais foram orientadas com seguimento pelo próprio médico assistente. Cerca de 52% das teleconsultas foram solicitadas por médicos, 37,4% por enfermeiros e 10,2% por outros. Levando-se em consideração períodos de 6 meses, houve um aumento significativo no número de teleconsultas realizadas.

Conclusão: Para se atingir a incorporação da telessaúde ao sistema público de saúde, os serviços devem atender uma real necessidade da população, atuando em regiões remotas e resolvendo problemas da rotina diária dos profissionais de saúde, além de utilizar um sistema simples e compatível com a infra-estrutura tecnológica local. Essa incorporação é facilitada quando os usuários a consideram útil na solução dos seus problemas diários, e tem como barreira a falta de conhecimento dos seus benefícios e limitações. O trabalho do CTS HC/UFMG tem sido importante: na prestação de assistência aos municípios com o sistema de teleconsultoria, no aperfeiçoamento contínuo do profissional da atenção primária in loco, beneficiando assim os usuários do sistema de saúde na melhoria da qualidade de vida e na redução de gastos.

Podemos observar através da análise das teleconsultas que em 42% dos casos não houve tal necessidade, reforçando sua grande valia no sistema público de saúde do nosso país. Além disso, o crescente número de teleconsultas oftalmológicas realizadas desde a sua implementação mostra sua grande aceitação e utilidade para o profissional de saúde assistente.

 

12 - ADENOCARCINOMA MUCINOSO PALPEBRAL : RELATO DE CASO E SUA QUESTIONÁVEL CONDUÇÃO

Autor: DANIELLE PIMENTA VIANA TRINDADE

Coautor: ANA ROSA PIMENTEL DE FIGUEIREDO, DIEGO SILVA LIMA, ANA LUIZA FIRMATO GLORIA

Hospital São Geraldo /HC-UFMG. Belo Horizonte, MG

OBJETIVO: Relatar a ocorrência de um adenocarcinoma mucinoso das glândulas de Moll, tipo de tumor de rara incidência nas pálpebras e comentar a má condução do caso e sua recidiva por duas vezes.

RELATO DO CASO: Trata-se de paciente de 65 anos, do sexo masculino, natural de Conselheiro Lafaiete, que compareceu ao ambulatório de Tumores do Departamento de Plástica Ocular do Hospital São Geraldo/HC-UFMG com queixa de lesão recidivada em pálpebra superior direita, com evolução de sete meses. Relatava que há cinco anos, havia apresentado lesão semelhante com retirada total na sua cidade de origem. Anatomo patológico indicava Carcinoma mucinoso das glândulas de Moll, sem no entanto, comentar sobre acometimento ou não das margens cirúrgicas. Após aproximadamente dois anos, a lesão recorreu em mesmo local, sendo novamente ressecada, segundo o paciente, desta vez, sem análise anatomo patológica. Permaneceu por dois anos, assintomático até que novamente, aparecesse a lesão em pálpebra superior direita. Neste momento, ao comparecer no ambulatório, apresentava lesão extensa, medindo 17mm na horizontal e 11 mm na vertical, acometendo praticamente toda a pálpebra superior direita, lobulada, com alguma vascularização, sem ulcerações, aparência cística e consistência elástica, sem cílios no local e aparentemente sem acometimento conjuntival. O olho estava calmo, sem quaisquer alteração ao exame oftalmológico. Foi realizada exérese do tumor, com congelação per operatória e, após resultado de margens livres (4mm) e confirmação diagnóstica de carcinoma mucinoso, reconstrução com a técnica de Hughes invertida. Após seis semanas, foi realizada a abertura do pedículo, que permaneceu com a margem superior levemente irregular. Aguardamos dois meses, permanecendo a irregularidade marginal, optamos por realizar um shaving e regularizar a margem.O paciente encontra-se em seu quinto mês pós operatório, satisfeito esteticamente e sem sinais de lesões palpebrais. Investigado pela oncologia, devido a importância de avaliação da possibilidade de haver algum sitio primário, foi afastada a presença de outros tumores sistêmicos.

DISCUSSÃO: O adenocarcinoma mucinoso é um tumor raro, de maior incidência no trato gastrointestinal e na mama, sendo geralmente metastático quando em outras localizações. Por apresentar característica invasiva, deve ser sempre tratado com cautela e quando excisado cirurgicamente, retirado com amplas margens cirúrgicas. Como qualquer lesão potencialmente maligna, merece sempre ser avaliado microscopicamente quanto a natureza da patologia e a presença de margens cirúrgicas liv

 

13 - RECONSTRUÇÃO PALPEBRAL PELA TÉCNICA DE HUGHES INVERTIDA: RELATO DE DOIS CASOS

Autor: DANIELLE PIMENTA VIANA TRINDADE

Coautor: ANA ROSA PIMENTEL DE FIGUEIREDO, DIEGO SILVA LIMA, ANA LUIZA FIRMATO GLORIA

Introdução: As pálpebras são estruturas de complexa anatomia que desempenham função essencial na proteção e lubrificação do globo ocular. Diversas técnicas cirúrgicas já foram descritas para sua reconstrução após perda tecidual, decorrente de ferimentos, remoção cirúrgica de neoplasias ou processos infecciosos, de forma a garantir a integridade anatômica e o bom desempenho dessas importantes funções.

Objetivo: Descrever a técnica cirúrgica de Hughes Invertida, demonstrar os resultados alcançados e mostrá-la como procedimento alternativo na reconstrução de defeitos extensos com comprometimento de todas as camadas da pálpebra superior.

Método: Dois pacientes foram submetidos à reconstrução palpebral pela técnica de Hughes Invertida, após exérese de neoplasias em pálpebra superior, realizadas no Hospital das Clínicas- UFMG, no ano de 2010. As lesões foram enviadas para análise anátomo-patológica por congelação, antes da reconstrução. Inicialmente, foi feita a ressecção do tumor, em toda a espessura palpebral. Em seguida, a lamela posterior foi reconstruída utilizando um retalho tarsoconjuntival pediculado da pálpebra inferior e enxerto de tarso da pálpebra superior contralateral. Para a reconstrução da lamela anterior, o músculo orbicular e a pele da pálpebra superior foram mobilizados e transpostos sobre o retalho tarsoconjuntival e o enxerto de tarso. Após seis semanas, o retalho foi seccionado junto à margem.

Resultados: Observaram-se resultados estéticos e funcionais satisfatórios, com boa oclusão palpebral nos pacientes submetidos à técnica de Hughes Invertida. Não houve sinal de isquemia, necrose ou outra complicação relacionada ao flap.

Discussão: Defeitos extensos das pálpebras superiores têm sido tradicionalmente reparados com a técnica de Cutler-Beard, que apresenta algumas desvantagens quando comparada a técnica de Hughes invertida, já que na primeira, o tarso não é reposto, causando falta de sustentação no pós- operatório. Há, ainda, alteração da circulação da lamela anterior, aumentando as complicações pós operatórias,como necrose e isquemia do retalho, entrópio e lagoftalmo.

Conclusão: A técnica do retalho tarsoconjuntival de Hughes Invertida está indicada em casos de tumores em pálpebras superiores, cuja ressecção levou a extensos defeitos de espessura total. Os resultados aqui descritos coincidem com os da literatura, mostrando ser esta uma boa técnica para reconstrução de defeitos extensos, com baixa incidência de complicações e bons resultados estético-funcionais.

Página 2: Pôsteres 14 ao 26