Resumo dos Temas Livres

1 - TARTARATO DE BRIMONIDINA - EFEITO SOBRE A DEPRESSÃO ALASTRANTE DA RETINA

Autor: NASSIM CALIXTO

Coautor: ADALMIR M DANTAS, SEBASTIÃO CRONEMBERGER, VINICIUS PIMENTEL, CAMILA ZANGALLI

Metodologia: São apresentados 50 experimentos efetuados em retina de pinto Leghorn de 3 a 5 dias de vida. Após decapitação, os olhos foram removidos e cortados equatorialmente. Um fragmento da calota posterior da retina, após a remoção do vítreo posterior, foi colocado em solução de Ringer modificado e depositado em calota hemisférica (12 mm de diâmetro x 5 mm de profundidade) com dois micro-orifícios na calota para circulação adequada do Ringer (em circulação aberta mantida por bomba peristáltica de 0,7 ml/min em temperatura estável de 30o.C em banho termostático). A preparação foi mantida na câmara durante 15 minutos antes de se provocar o estímulo que foi dispaparado em intervalos de 15 minutos através de finíssimo fio de tungstênio (micro-eletrodo). A onda conseqüente ao estímulo foi captada pelo micro-eletrodo e transferida a um polígrafo de Grass que registrou a variação de voltagem e a duração da onda. Todos os experimentos foram conduzidos seguindo um protocolo pré-estabelecido e precedidos de controle do equipamento usado. Após o intervalo de 15 minutos do registro inicial, trocou-se o Ringer modificado por outro Ringer contendo 0,1% de tartarato de brimonidina. Quinze minutos depois, novo estímulo mecânico idêntico ao precedente, seguido de novo intervalo de 15 minutos, repetindo-se o estímulo mecânico (dois estímulos em seqüência intervalados de 15 min entre eles). A seguir, trocou-se o Ringer contendo brimonidina por Ringer puro; intervalo de 15 minutos seguido de novo estímulo mecânico, registrando-se as modificações por ele induzidas.

Análise estatística: A amplitude e a duração da onda de depressão alastrante - DA - (potencial negativo) registradas foram medidas e tabuladas para o cálculo estatístico usando-se o teste t para amostras pareadas.

Resultados: São apresentados fotos da onda de DA, gráficos e tabelas. A redução da onda de DA foi de 26,8% de seu valor inicial e sua duração foi aumentada quase pela metade, ou seja, 46,9% do valor inicial.

Comentários: É importante enfatizar-se a reprodutibilidade uniforme e constante dos resultados experimentais. Se estes experimentos forem comprovados em espécies filogenicamente mais desenvolvidas (macacos), poderemos chegar ao terceiro estágio (dos quatro exigidos) para se comprovar o efeito neuroprotetor do tartarato de brimonidina.

Conclusão: O tartarato de brimonidina, em condições padronizadas, induziu uma redução da amplitude da onda de DA em 26,8% e aumentou a sua duração em 46,9%.

2 - PREVALÊNCIA DE ENDOFTALMITES EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Autor: COELHO, LM

Coautor: SOUZA, TM; SOUZA, TM; TANURE, MAG

Introdução: A endoftalmite é uma inflamação dos tecidos intraoculares e, apesar de rara, é uma das complicações mais graves e de pior resultado funcional entre as afecções oftalmológicas.

Objetivo: estudar a prevalência de endoftalmites no Hospital São Geraldo (HSG) da UFMG.

Metodologia: foram analisados os prontuários de todos os pacientes com diagnóstico de endoftalmite no HSG no período de janeiro de 2009 a junho de 2011, em busca de características epidemiológicas do paciente, causa de endoftalmite, tempo de início dos sintomas e da internação hospitalar, acuidade visual inicial e final, história de tratamento prévio, tratamento realizado e resultado microbiológico. Resultados: dos pacientes avaliados, 33% eram do sexo feminino e 67% do masculino, com uma média de idade de 55 anos (3-88 anos). 28% dos pacientes foram referenciados de outro serviço, enquanto 18% já eram pacientes do HSG. 48% dos pacientes já haviam recebido algum tipo de tratamento à admissão e 45% eram sintomáticos há menos de 3 dias e 74% há menos de 10 dias. 17% eram portadores de diabetes, 1% de imunossupressão, 4% de cardiopatia e 24% de alguma afecção oftalmológica. 10% das endoftalmites foram consideradas endógenas, 36% pós-traumáticas, 16% pós-FACO, 2% pós-FEC, 10% por blebite, 1% pós-TREC, 1% pós-VVPP, 1% pós-retirada de pontos, 2% pós-CPP, 16% por úlcera de córnea e 5% desconhecidas. O tempo médio de internação hospitalar foi de 12 dias (1-35 dias). À admissão, 2% apresentavam acuidade visual (AV) entre 20/40 e 20/100, 2% entre 20/100 e 20/400 e 90% menor que 20/400. 4% dos pacientes obtiveram AV entre 20/40 e 20/100, 2% entre 20/100 e 20/400 e 81% menor que 20/400. 60% dos pacientes foram submetidos apenas a tratamento clínico e injeção intra-vítrea (IV), 8% a CPP e 13% a VVPP, enquanto 18% evoluíram para evisceração. A cultura foi negativa em 30% dos casos. Em 13% cresceram estreptococos, 6%, estafilococos, 2%, Pseudomonas, 2%, Klebsiella, 2%, Candida e, 2%, outros fungos.

Conclusão: A endoftalmite é uma condição potencialmente destrutiva e, por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhor evolução do paciente. O conhecimento de sua epidemiologia contribui não só para orientar a melhor conduta médica como também para a educação da sociedade, contribuindo para prevenção e procura precoce pelo serviço de saúde

 

3 - IMPORTANCE OF VITREOMACULAR ADHESION ON ANTIANGIOGENIC TREATMENT FOR EXUDATIVE AGE-RELATED MACULAR DEGENERATION

Autor: VELOSO CE*

Coautor: NEHEMY MB

Instituto Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte

Introduction: Persistent vitreomacular adhesion (VMA) is considered a risk factor for the development of exudative age-related macular degeneration (AMD). Anti-vascular endothelial growth factor (VEGF) agents are the gold standard for treatment of wet AMD. Some patients are non-responders, however, showing resistance to anti-VEGF agents. Vitreomacular interface studies are important to determine which eyes respond better to treatment.

Purpose: To investigate the effect of VMA on the short-term outcome of antiangiogenic treatment for exudative AMD. Methods: We prospectively evaluated best-corrected visual acuity (BCVA) and central retinal thickness (CRT) in patients with exudative AMD at baseline and at 1 month after treatment with antiangiogenic agents. All patients were stratified by spectral domain optical coherence tomography (OCT) and slit-lamp biomicroscopy findings into two groups: VMA(+) and VMA(-), according to the presence or absence of VMA, respectively. Response to treatment was evaluated according to the presence or absence of VMA.

Results: A total of 90 eyes (65.7%) of 71 patients were included in the VMA(-) group and 47 eyes (34.3%) of 33 patients in the VMA(+) group. Both groups presented improvement in mean BCVA at 1 month after treatment. However, mean BCVA was significantly decreased in the VMA(-) group (p=0.0001), but not in the VMA(+) group (p=0.23). Mean CRT was significantly decreased compared with baseline in both groups (p<0.0001). BCVA improved &#8805;0.2 logMAR in 33.3% of eyes in the VMA(-) group and in 17.0% of eyes in the VMA(+) group (p=0.04). BCVA improved &#8805;0.1 logMAR in 51.1% of VMA(-) eyes and 29.8% of VMA(+) eyes (p=0.01). The presence or absence of VMA had no effect on visual acuity &#8805; 0.3 logMAR (p=0.12).

Conclusion: Absence of VMA was associated with a better short-term visual outcome after anti-VEGF treatment for exudative AMD.

 

4 - PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES DIABÉTICOS USUÁRIOS DO DEPARTAMENTO DE RETINA DA FUNDAÇÃO HILTON ROCHA

Autor: AMARAL JBMS, FUNDAÇÃO HILTON ROCHA, BELO HORIZONTE

Coautor: MUNIZ AB; MARTINS AMEBL; SOUKI SA; AMARAL BC; SILVA LCG; FOUREAUX ECM

Introdução: No Brasil, não há estudos que demonstrem a prevalência nacional da retinopatia diabética (RD). Estudos realizados em diferentes regiões do país referem prevalência da RD variando de 24% a 39,4%, sendo sua maior frequência em pacientes residentes em regiões não metropolitanas. Avaliando as estatísticas descritas até o momento, chega-se a um número aproximado de 2 milhões de brasileiros com algum grau de RD, podendo-se presumir que uma parte importante desses indivíduos apresentará algum grau de perda visual relacionada à doença.

Objetivo: Conhecer as características epidemiológicas dos pacientes diabéticos atendidos no departamento de retina da Fundação Hilton Rocha (FHR) e identificar a prevalência da RD, dos seus fatores de risco, do tipo de retinopatia, e das complicações desta patologia neste estrato populacional.

Metodologia:Foi realizado um estudo retrospectivo com análise de 587 prontuários de pacientes diabéticos atendidos no departamento de retina da FHR no período de janeiro a junho de 2010.

Resultados: A prevalência de pacientes com RD foi de 54,7%, sendo 46,1% de homens e 53,9 % de mulheres. A idade média dos pacientes foi 60,2 anos. O tempo de diagnóstico do diabetes mellitus variou de 1 a 45 anos, sendo a média 16,4 anos. 79,1% dos pacientes apresentaram hipertensão arterial sistêmica, 63,6 % eram usuários de insulina e 55,1% eram usuários de hipoglicemiantes orais. A retinopatia diabética não proliferativa estava presente em 57,3% dos pacientes e a forma proliferativa em 42,7%. Dos pacientes que apresentaram RD, 55,7% manifestaram alguma complicação visual. 76,6% dos pacientes eram residentes em Belo Horizonte.

Conclusões: Apesar dos esforços com as várias campanhas contra a cegueira, a RD continua sendo uma importante complicação do diabetes e suas complicações visuais ainda constituem um grande problema de saúde pública mesmo em cidades onde é fácil o acesso a serviços de alta complexidade em oftalmologia.

 

5 - ANÁLISE DEMOGRÁFICA LONGITUDINAL DE UM SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM CIRURGIA REFRATIVA COM EXCIMER LASER

Autor: JOSÉ ALOÍSIO DIAS MASSOTE

Coautor: FREDERICO BICALHO DIAS DA SILVA, FERNANDO FISCHMANN FERREIRA, CLÓVIS CORRÊA DE CARVALHO, PAULO GUSTAVO DE RESENDE ALVES

Objetivo: avaliar a evolução do tratamento refrativo com excimer laser.

Método: Estudo longitudinal retrospectivo, utilizando dados coletados dos prontuários de uma clínica de grande volume cirúrgico de Belo Horizonte (Ocular Laser). Foram analisadas todas as cirurgias refrativas entre Janeiro de 2006 e Fevereiro de 2009.

Resultados: Das 9266 cirurgias, 50,2% eram olho direito e 49,8% olho esquerdo; 41,3% do sexo masculino e 58,7% do sexo feminino; 89% das dioptrias esféricas situavam-se entre +2,00 e -8,00D com 98% das dioptrias cilíndricas entre +2,00 a -4,00D; tipo de cirurgia: 32% de PRK e 68% de LASIK; entre as cirurgias de PRK, 71% usaram Mitomicina C (MMC); em relação a plataforma da cirurgia: 93,5% de Planoscan, 4,2 % de Personalizada e 2,3% de Tissue Saving.

Conclusões: Mulheres são a maioria entre os pacientes de cirurgia refrativa; a média de dioptrias operadas, tanto esféricas quanto cilíndricas, não vêm sofrendo alterações significativas no período contemplado, o que significa que os critérios de indicação já estão sedimentados; o uso de Mitomicina C vem aumentando no PRK; o LASIK mantém-se como a técnica cirúrgica preferida entre os cirurgiões; a cirurgia personalizada e o tissue saving ainda correspondem a uma pequena porcentagem do total de cirurgias refrativas.

 

6 - CONJUNTIVITE COM PSEUDO MEMBRANAS: ANALISE DE TRATAMENTOS DISPONÍVEIS SOB CRITÉRIOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS

Autor: RODRIGO EDUARDO CORREA

Coautor: IANNE F. A. SANTOS, BARBARA R. VARGAS, DANIELA N. DANIF, MARCOS VINICIUS C. SOUZA

CONJUNTIVITE COM PSEUDOMEMBRANAS: AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE TRATAMENTOS DISPONÍVEIS SOB CRITÉRIOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS CORRÊA, R. E*; VARGAS, B. R; DANIF, D. N; SANTOS, I. F. A; SOUZA, M. V. C. (Clínica de Olhos da Santa Casa, Belo Horizonte, Minas Gerais)

OBJETIVOS: A ocorrência de pseudomembranas complicando uma conjuntivite virótica comum causa transtornos importantes para o paciente em termos de dor, edema local, limitação funcional transitória ou permanente, aderência ao tratamento e absenteísmo prolongado ao trabalho. Não se encontra definição clara e objetiva de tratamento nos livros-texto de referência que valorize os sintomas e a duração do tratamento, bem como os custos para o indivíduo, deixando a escolha para a preferência pessoal do oftalmologista. O objetivo deste trabalho foi comparar dois tratamentos recomendados considerando variáveis clínicas e outras subjetivas, relacionadas ao conforto do paciente, e os riscos associados à escolha terapêutica.

METODOLOGIA: Trata-se de ensaio clínico randomizado no qual cinqüenta pacientes portadores de conjuntivite complicada com pseudomembranas foram tratados com tobramicina e dexametasona, metade do grupo utilizando colírio e o restante aplicando pomada oftálmica da mesma medicação, associadas à remoção mecânica das pseudomembranas e controles periódicos para avaliar extensão das pseudomembranas, sangramento, dor, prurido, aderência ao tratamento e duração do mesmo, pressão ocular e efeitos adversos.

RESULTADOS: Observou-se que o uso de pomada de tobramicina e dexametasona reduziu de forma significativa (P<0,05) o prurido, a dor e reduziu a duração do tratamento se comparada à mesma medicação em colírio. Não houve diferença significativa na tonometria ocular.

CONCLUSÕES: A superioridade da formulação em pomada de tobramicina e dexametasona para pacientes com conjuntivite com pseudomembranas em relação ao colírio justifica sua prescrição, se visarmos ao conforto do paciente durante o tratamento.